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Entenda o assunto

A doação de órgãos é um importante ato para salvar vidas. O Brasil, apesar de o sistema de saúde apresentar carências de investimento, infraestrutura e profissionais capacitados, desenvolveu capacidade técnica internacional para a realização de transplantes.

Além dos avanços tecnológicos, a conscientização da sociedade, é fundamental para elevar o número de transplantes no País.

Um balanço realizado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) revelou, em 2014, aumento significativo de doadores de órgãos no Brasil. Foram 14 por milhão de população (pmp), dobro do resultado de 7 anos antes.

Apesar do crescimento na média nacional, o resultado ainda é tímido, se comparado com países como Espanha, que chega a 35 doadores pmp, e Portugal, com 24. No Brasil, mais de 30 mil pacientes esperam por um órgão.

O programa nacional de transplantes tem organização exemplar, na qual cada Estado possui uma central de notificação, captação e distribuição de órgãos compondo uma fila única. Mais de 80% dos transplantes são realizados com sucesso, reintegrando o paciente à sociedade.

Qualquer pessoa pode ser doadora, basta informar a seus familiares sobre esse desejo, sua família vai considerar este ato como uma maneira de contribuir com a sociedade mesmo a pós a morte.

Doar é um ato de amor. Decida-se pela vida.

Como doar

A decisão de doar órgãos é um passo importante para salvar vidas. A doação de alguns órgãos pode ser realizada ainda em vida, como é o caso do rim, de parte do fígado, do pulmão e do pâncreas (os dois últimos, em situações excepcionais). Após a morte, podem ser doados, ainda, córneas, coração, ossos e pele.

Para oferecer órgãos em vida, o doador deve ser um cidadão juridicamente capaz, gozar de plena saúde e ser avaliado por médicos para evitar que ocorram complicações durante e após a doação. Parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Já quem não é parente, somente com autorização judicial.

Quem tem vontade de ser doador após a morte não precisa documentar esse desejo, mas é fundamental comunicar à família. Afinal, são seus familiares que consentirão, por escrito, com a realização do seu desejo.

Perfil do doador

Em 2013, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) traçou o perfil dos doadores de órgãos no Brasil. A surpresa ficou por conta da maioria dos doadores, 57% tinha entre 35 e 64 anos. Outro dado curioso é que 60% dos doadores eram do sexo masculino. Para o Ministério da Saúde, além das causas naturais, os homens são mais suscetíveis a fatores de violência, como brigas, assaltos e acidentes de trânsito.

É considerado potencial doador todo paciente em morte encefálica. Em 2013, a maior incidência de morte dos doadores no País foi por Acidente Vascular Cerebral (AVC), seguido de Traumatismo Cranioencefálico (TCE), causado por fatores externos, como quedas, agressões físicas, acidentes de trânsito ou com arma de fogo.

Para ser considerado doador, o paciente deve ter identificação e registro hospitalar, ter a causa do coma estabelecida e conhecida, não apresentar hipotermia (temperatura menor que 35° C), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do sistema nervoso central.

O doador deve, ainda, passar por dois exames neurológicos, por médicos não participantes das equipes de captação e de transplante, e submeter-se a exames complementares que demonstrem morte encefálica.

Quem recebe órgãos ou tecidos

Depois de diagnosticada a morte encefálica e o paciente caracterizado como potencial doador, o médico comunica à central de transplantes os dados do paciente e onde ele está internado.

Essa notificação é compulsória e não depende do desejo familiar de doação ou da condição clínica do potencial doador. A doação só se efetiva caso a família concorde e autorize.

Só a Central de Transplantes tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor.

Quem pode se beneficiar de um transplante?

 CORAÇÃO portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias (doença de Chagas, isquêmica, reumática, idiopática, miocardite).
 PULMÃO portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema.
 FÍGADO portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas.
 RIM portadores de insuficiência renal crônica por nefrite, hipertensão, diabetes e outras doenças renais em crônicas em geral em diálise
 PÂNCREAS diabéticos que tomam insulina (diabetes tipo I) em geral, quando estão com doença renal associada.
 CÓRNEAS portadores de ceratocone, ceratopatia bolhosa, infecção ou trauma de córnea.
 MEDULA ÓSSEA portadores de leucemia, linfoma e aplasia de medula.
 OSSO pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma.
 PELE pacientes com grande queimaduras.

 

Estatísticas

Órgãos

Transplante  Equipes que realizaram transplante em 2013 %
Coração 33 13,2%
Fígado 60 24,0%
Pâncreas 21 8,4%
Pulmão 7 2,8%
Rim 129 51,6%
Total 250 100,0%

 

Transplantes realizados no ano de 2013
Órgãos Vivo Falecido Total % PMP
Coração 271 271 3,4% 1,4
Fígado 136 1587 1723 22,53% 9,0
Pâncreas 142 142 1,86% 0,7
Pulmão 4 76 80 1,05% 0,4
Rim 1373 4060 5433 71,02% 28,5
Total 1513 6136 7649 100,0%

Células

Transplante Equipes ativas em 2013
Medula Óssea 49

 

Transplantes realizados no ano de 2013
Transplante Autólogo Alogênico Total PMP
Medula Óssea 1144 669 1813 9,5

Tecidos

Transplante Equipes ativas em 2013
Córnea Indisponível
Ossos 6 bancos disponíveis
Pele 6

 

Transplantes realizados no ano de 2013
Órgãos Falecido % PMP
Córnea 13744 37,03% 72,1
Ossos 23348 62,91% 122,4
Pele 23 0,06% 0,1
Total 4149 100,0%

 

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